Reabilitação neurofuncional

Uma das novidades no tratamento das alterações urinárias e evacuatórias é a reabilitação neurofuncional, por meio do implante laparoscópico de eletrodos.

Esta técnica permite alcançar os nervos periféricos por meio de uma cirurgia laparoscópica, realizada através de pequenas incisões e introdução de uma câmera de vídeo e instrumentos cirúrgicos, que são guiados pelo médico que identifica o nervo acometido e realiza o implante de neuromoduladores na posição adequada.

Estes aparelhos são implantados na tentativa de estimular e devolver aos nervos sua função original, que foi perdida ou alterada por inúmeros fatores.

Este novo procedimento vem unindo o conhecimento de diferentes especialidades, em uma nova área de intersecção que conecta a Ginecologia, a Neurologia, a Urologia, a Ortopedia (especificamente a cirurgia de coluna) e a Coloproctologia, buscando um pouco de cada uma delas, somando os pontos de vista e oferecendo aos pacientes uma alternativa de tratamento um pouco menos invasivo e mutilante.

Com a popularização destes procedimentos, e estando acessível e um maior número de pessoas, alguns dos procedimentos realizados atualmente, como a uretrotomia, poderão ser abandonados, dando lugar ao conceito da cirurgia neurofuncional quando apropriado.

Antigos conceitos x novas técnicas

A ideia de utilizar um neuroestimulador para devolver a lesados medulares (paraplégicos e tetraplégicos) o controle dos nervos das pernas, bexiga e ânus é antiga.

Data da década de 1970, quando Brindley – um neurocirurgião inglês – criou um procedimento em que abria a coluna dos pacientes, cortava os nervos sensitivos – que trazem as sensações para o cérebro – e introduzia estimuladores nos nervos motores ­- que controlam os músculos.

Com isso, Brindley conseguiu devolver o controle urinário a mais de 2 mil pessoas durante as décadas de 1970 e 1980. Porém, por ser muito invasivo, irreversível e mutilante, o procedimento foi abandonado, pois a maioria das pessoas a quem o mesmo era oferecido não o aceitava.

Um dos principais motivos da não aceitação do procedimento de Brindley era a secção das raízes nervosas sensitivas, preconizadas por ele para o tratamento da espasticidade das pernas e da bexiga. O resultado era a flacidez das pernas e da bexiga. Isso porque a espasticidade é, muitas vezes, útil ao paciente com lesão raquimedular.

A cirurgia neurofuncional busca restaurar no nervo o seu correto funcionamento sem seccioná-lo, bloqueando a atividade do nervo quando esta não é desejada e estimulando-o quando isto for necessário, devolvendo ao paciente funções que havia perdido, como o controle urinário.

Alguns pacientes estão conseguindo, inclusive, através do estímulo dos nervos dos membros inferiores, ficar e em pé, fazer transferências e retomar a marcha utilizando esta técnica.

Outro tratamento, a neurolise pré-sacral, em breve pode deixar de ser realizado, dando lugar a técnicas mais avançadas. Indicado para a mulher que tem muita cólica e dores visceral ou vesical, consiste em dissecar os nervos e seccioná-los, para bloquear o sinal da dor.

A cirurgia neurofuncional propõe uma mudança de conceito para esta técnica substituindo-a pelo implante de neuroestimuladores para, ao invés de bloquear o funcionamento daquele nervo, fazê-lo funcionar corretamente.

Vantagens e desvantagens

Este método ainda é relativamente recente, tem sido cada vez mais estudado e tem mostrado resultados promissores. Hoje já há indicações formais e aprovadas para o uso de neuromoduladores em situações como incontinência fecal e disfunções urinárias. Seu uso para outras situações como melhora na reabilitação, controle urinário e mobilidade de pacientes com lesão medular vem sendo cada vez mais estudada e tendo sua eficiência demonstrada.

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