Endometriose

O primeiro relato de invasão endometriótica do nervo ciático data de 1955 (Denton&Sherrill). O quadro mais conhecido é o “pé caído catamenial” (Volpi et al, 2005).

Porém, praticamente todos os nervos do plexo sacral podem sofrer a invasão da doença. Nesses casos, o quadro clínico vai depender do nervo acometido. Há, também, relatos na literatura de comprometimento dos nervos obturador e pudendo.

Este vídeo, publicado no Congresso da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL), demonstra um caso de uma paciente com infiltração endometriótica da terceira raiz sacral. Esta condição causa dor glútea, ciatalgia e atonia vesical perimenstrual.

Apesar da infiltração endometriótica de nervos e raízes sacrais ser rara na literatura, em suma, a série de 148 casos, publicada pelo professor Marc Possover, nos leva a crer que esta apresentação da doença pode não ser tão incomum quanto se pensa e é, provavelmente, subdiagnosticada.

O subdiagnóstico se deve, provavelmente, ao fato da queixa principal dessas pacientes não ser a dor pélvica e sim a ciatalgia, a dor perineal e os sintomas urinários e anorretais.

Além disso, apesar de alguns relatos de diagnóstico com a ressonância magnética, ainda não há marcadores radiológicos definidos para este tipo de lesão.

Endometriose e sintomas

Assim, o ginecologista deve sempre estar atento aos seguintes sintomas sugestivos de acometimento nervoso pela endometriose:

  • dor com irradiação para as pernas, sem lesão medular que a justifique;
  • sintomas urinários sem lesão vesical os justifique;
  • tenesmo ou disquezia acompanhados de dor perineal ou glútea ou déficit motor nos membros inferiores;
  • nódulo no septo retovaginal. Aliás, neste último caso, deve-se ter em mente a diferença entre nódulo retrocervical e nódulo do septo retovaginal, sendo este último palpado distalmente ao fórnice vaginal posterior.

O reconhecimento dos fatores citados acima é essencial para possibilitar o diagnóstico da infiltração de raízes e nervos sacrais.

Por fim, esse reconhecimento é fundamental para orientar o tratamento adequado das lesões que, devido ao risco de infiltração e destruição de fibras nervosas é, segundo Possover, eminentemente cirúrgico.

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