Disfunções intestinais em pacientes com LRM: sintomas e tratamentos

De acordo com a literatura médica disponível, apesar da maior ênfase dada aos agravos da LRM (lesão raquimedular) e ao trato urinário inferior, as disfunções intestinais são responsáveis por 11% das readmissões dos lesados raquimedulares. (Middleton et al, 2004)

Na fase crônica da LRM, os principais sintomas observados são:

  • dor abdominal mal localizada;
  • distensão abdominal;
  • náuseas;
  • obstipação;
  • incontinência. (Chung & Emmanuel, 2006)

Além desses sintomas, em parte atribuíveis à disfunção autonômica, existe o risco da ocorrência de desordens agudas do trato intestinal, que podem ter seu diagnóstico e tratamento dificultados pela redução da sensibilidade visceral. (Miller et al, 2001)

Dentre os supracitados sintomas, nos ateremos em primeiro lugar à obstipação e incontinência, que, além de melhor conhecidos, são de maior interesse para o presente estudo.

Na fase crônica da LRM, em função do aumento da atividade parassimpática (por mecanismos já discutidos nas disfunções urinárias), o cólon se torna “espástico”, assim como o esfíncter estriado.

Com o aumento da pressão retal, ocorre a dificuldade da progressão do bolo fecal e, portanto, da obstipação. Quando o bolo fecal atinge o reto, encontra um tubo com distensibilidade e capacidade diminuídas, o que predispõe à incontinência.

Diferentemente do trato urinário, o trato digestório apresenta uma importante independência do sistema nervoso autônomo, em função dos reflexos intrínsecos do plexo neuroentérico. Dessa forma, o reflexo retoanal inibitório, que se encontra preservado na LRM, agrava o quadro da incontinência.

Como resultado, a perda da modulação central sobre o sistema simpático e sobre o esfíncter anal externo, respectivamente, diminui a motilidade no tubo digestivo proximal e agrava a disfunção evacuatória, esta última devido à exacerbação do reflexo da guarda.

Tratamentos disponíveis

Além disso, uma série tratamentos utilizados com frequência na LRM contribuem para o agravamento do quadro, como é o caso dos antimuscarínicos – utilizados para o tratamento da hiperatividade vesical – que agravam a obstipação, bem como os antibióticos de amplo espectro, que predispõem à diarreia e agravam o quadro de incontinência. (Chung & Emmanuel, 2006)

As opções terapêuticas para as disfunções intestinais são escassas e incluem:

  • tratamento medicamentoso com laxantes, a fim de acelerar o trânsito intestinal e promover a formação de um bolo fecal de consistência mais adequada;
  • uso intrarretal de supositórios e enemas glicerinados;
  • uso de agentes procinéticos, como a metoclopramida ou a domperidona, no intuito de acelerar a motilidade intestinal.

Por fim, em casos extremos, pode ser necessária a realização de colostomia. (Chung & Emmanuel, 2006)

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