O papel da cirurgia neurofuncional no tratamento da endometriose

A neuropelveologia pode ajudar as pacientes com endometriose de três maneiras:

  • permitindo o tratamento da endometriose que acomete os nervos pélvicos;
  • pela prevenção da lesão dos nervos que acometem a bexiga durante a retirada de lesões que se encontrem nas proximidades desses nervos;
  • por fim, por meio da reabilitação de pacientes que tiveram as funções urinária e evacuatória por uma cirurgia pélvica prévia, para tratamento da endometriose ou de outras doenças pélvicas.

Os sintomas de infiltração dos nervos são:

  • dor em cãibra, choque ou queimação com irradiação para a região glútea ou para as pernas;
  • sensação de forte desejo evacuatório ou urinário, mesmo na ausência de urina ou fezes na bexiga e no reto;
  • sensação de perda urinária iminente, mesmo com pequenas quantidades de urina na bexiga;
  • dor ou desconforto à evacuação;
  • incontinência urinária e anal e dificuldade de se locomover no período perimenstrual (neste caso, é necessária a cirurgia neurofuncional para remover essas lesões).

Tratamento da endometriose: método cirúrgico

De acordo com pesquisas, quando realizada por técnicas laparoscópicas tradicionais, o tratamento da endometriose infiltrativa pode causar lesões nervosas importantes em cerca de 5% dos casos. Aliás, isso pode causar inibição da capacidade de contração e eliminação de urina da musculatura da bexiga, que perde o controle nervoso.

Os casos com maior risco de lesão nervosa são aqueles em que o nódulo se encontra mais baixo, na vagina, no reto ou no septo retovaginal.

Realiza-se a preservação nervosa no tratamento cirúrgico da endometriose por meio de uma técnica especial para evitar a lesão inadvertida desses nervos, denominada Laparoscopic Neuronavigation (LANN Technique). Com esta técnica, o risco de alterações vesicais por lesão nervosa cai para menos que 1%.

O método foi desenvolvido pelo Dr. Marc Possover e, até o momento, o único médico brasileiro capacitado nesta técnica é o Dr. Nucelio Lemos.

Por fim, no caso de pacientes que já sofreram lesão dos nervos por um procedimento cirúrgico radical e ficaram com problemas urinários e fecais, há a opção do implante de um neuroestimulador, que por meio de “sobrecarrega” dos nervos restantes, tentará devolver a contração da bexiga.

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