Perguntas Frequentes

Confira a seguir as perguntas mais frequentes sobre Neuropelveologia:

1. A princípio, a Neuropelveologia foi desenvolvida para tratar quais problemas?

2. Esse tipo de técnica e implante de eletrodos pode beneficiar pacientes com quais doenças? Há estudos em andamento para outras doenças?

3. O que é e como surgiu a Neuropelveologia?

4. Qual é o custo do tratamento completo em pacientes com lesão medular?

5. Quais pessoas poderão se beneficiar com esta nova abordagem?

6. Como a Neuropelveologia atua no tratamento da endometriose?

7. Quais são os sintomas sugestivos do envolvimento de nervos pela endometriose?

8. A quem as técnicas da Neuropelveologia podem ser indicadas?

9. Como é possível beneficiar pacientes de casos tão distintos partindo de um mesmo princípio?

10. Quem é o especialista capacitado para a cirurgia neurofuncional pélvica?

11. Quais as vantagens específicas para paraplégicos e tetraplégicos?

12. A reabilitação neurofuncional por meio de implantes de neuromoduladores pode substituir procedimentos realizados atualmente?

13. Qualquer paciente com lesão medular pode se beneficiar com o implante de neuromodulador?

14. Quais são as possíveis complicações deste procedimento?

15. Planos de saúde já cobrem o implante laparoscópico de neuromoduladores (LION)?

1. A princípio, a Neuropelveologia foi desenvolvida para tratar quais problemas?

Neuropelveologia é o nome dado ao estudo das doenças que acometem os nervos que cruzam a pelve. Entre estes nervos estão os nervos ciático e femoral, que controlam as pernas, e o nervo pudendo, que controla a uretra, a bexiga e o ânus.

A princípio esta técnica surgiu para a preservação dos nervos no tratamento da endometriose, o que permitiu o desenvolvimento das técnicas de exposição e manipulação laparoscópica dos nervos intrapélvicos.

A técnica também possibilitou o implante de eletrodos para a reabilitação de paraplégicos e de pessoas com dor crônica. Além disso, descobriu-se que estes nervos podem estar encarcerados em sua porção intrapélvica, causando dor no ciático e dor genital que antes não eram tratadas de maneira adequada.

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2. Esse tipo de técnica e implante de eletrodos pode beneficiar pacientes com quais doenças? Há estudos em andamento para outras doenças?

O tratamento pode beneficiar pacientes paraplégicos por lesão ou por uma série de doenças que afetem o neurônio motor superior, tais como: derrames, esclerose múltipla, doença de Devic, entre muitas outras.

O neurônio motor superior é o neurônio que vem desde o cérebro até a medula e que controla os movimentos. De forma simples e direta, este procedimento serve para pacientes paraplégicos que têm espasticidade e incontinência urinária por bexiga neurogênica espástica.

Alguns pacientes tetraparéticos com lesão medular incompleta, quando nem todos os neurônios da medula são seccionados, também podem obter benefícios.

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3. O que é e como surgiu a Neuropelveologia?

A Neuropelveologia foi idealizada em 2003 pelo médico francês, radicado na Suíça, prof. Marc Possover e trazida ao Brasil pelo Dr. Nucelio Lemos.

Trata-se da união de técnicas cirúrgicas ginecológicas aos princípios da Neurocirurgia, trazendo esperança a diversos pacientes já conformados com dores crônicas nas pernas e região glútea, paraplégicos, tetraplégicos, amputados com dores em membros fantasma, além de casos de incontinências urinária e anal e endometriose.

Isso porque esta abordagem oferece novas perspectivas aos médicos, que passaram a combinar técnicas e tecnologias utilizadas em diferentes áreas.

A videolaparoscopia, por exemplo, hoje é combinada a outras tecnologias, atingindo regiões de difícil acesso. Com isso, tem sido possível tratar uma série de alterações funcionais dos nervos lombares e sacrais, responsáveis pelo controle das pernas, bexiga, reto, órgãos genitais, porção final do intestino, uretra e ânus.

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4. Qual é o custo do tratamento completo em pacientes com lesão medular?

O custo do tratamento completo depende da gravidade da lesão medular e da quantidade de sessões de reabilitação necessárias após a cirurgia.

São altos os valores da internação hospitalar, dos materiais utilizados e do neuromodulador. A reabilitação específica dura enquanto o paciente estiver apresentando evolução. Portanto, é muito difícil prever o tempo de tratamento. Porém, na maioria dos casos, o tempo de tratamento dura de 2 a 3 anos.

Apesar do alto custo, o tratamento encontra-se no rol de procedimentos da ANS e deve ser custeado pelos planos de saúde.

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5. Quais pessoas poderão se beneficiar com esta nova abordagem?

Pacientes com dores crônicas nas pernas e na região glútea, bem como dores em membros fantasma, no caso de amputados, são alguns exemplos.

Estes pacientes são, geralmente, tratados como tendo uma hérnia de disco ou, simplesmente, como tendo uma ciatalgia (dor do nervo ciático), sem um diagnóstico preciso da causa. Em geral, não apresentam alterações na ressonância magnética que justifiquem a intensidade dos seus sintomas.

Muitos destes sintomas podem ser causados por traumas de parto e varizes pélvicas decorrentes da gestação, assim como fibrose resultante de infecção ou cirurgias pélvicas.

Paraplégicos, tetraplégicos e outros portadores de incontinências urinária e anal poderão ter melhora substancial na qualidade de vida com a retomada destas funções.

Pessoas com síndrome da bexiga hiperativa resistente aos tratamentos tradicionais e até aquelas que já falharam no tratamento de neuromodulação sacral podem ter sucesso com a estimulação do nervo pudendo.

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6. Como a Neuropelveologia atua no tratamento da endometriose?

A endometriose é uma doença benigna, porém, apresenta uma característica invasora semelhante ao câncer do colo do útero, se disseminando por toda a pelve e, às vezes, por porções mais distantes do organismo.

Entre as estruturas que a endometriose costuma invadir ou comprimir estão os nervos pélvicos. Ocorre que ainda não se sabe diagnosticar a infiltração dos nervos pélvicos por meio da ressonância magnética nem da ultrassonografia. Assim, a dor nas pernas ou na região glútea e as alterações urinárias e intestinais decorrentes da invasão nervosa raramente são creditadas à endometriose.

Por meio das técnicas diagnósticas e cirúrgicas da Neuropelveologia, é possível tratar por completo a endometriose que invade ou envolve os nervos.

Devido à tendência de se desenvolver próximo aos nervos pélvicos – característica da endometriose –, muitas vezes ocorre lesão inadvertida dos mesmos durante a cirurgia. Isso pode causar paralisia da bexiga ou diminuição da sua capacidade de eliminar urina, às vezes levando à necessidade de sondagem para esvaziar a bexiga.

O mesmo pode acontecer com o reto. Em alguns destes casos de sequelas cirúrgicas, pode-se tentar implantar um neuroestimulador, para “sobrecarregar” as fibras nervosas remanescentes, a fim de devolver, ao menos em parte, o controle sobre as funções urinária e evacuatória.

Além disso, mesmo após a remoção completa da endometriose, o próprio processo de cicatrização pode levar ao surgimento de novos vasos sanguíneos ou fibrose, comprimindo os nervos ou raízes sacrais, resultando em novas dores.

Tanto a remoção da endometriose remanescente, quanto da fibrose e dos vasos neoformados sobre os nervos da pelve podem ser realizadas por meio de técnicas da Neuropelveologia.

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7. Quais são os sintomas sugestivos do envolvimento de nervos pela endometriose?

Os sintomas do acometimento de nervos pela endometriose são:

  • cãibra, choque ou queimação com irradiação para a região glútea ou para as pernas;
  • sensação de forte desejo evacuatório ou urinário, mesmo na ausência de urina ou fezes na bexiga e no reto;
  • sensação de perda urinária iminente, mesmo com pequenas quantidades de urina na bexiga;
  • dor ou desconforto à evacuação; incontinência urinária e anal e dificuldade de se locomover.

Esses sintomas podem ser constantes ou aparecer somente no período menstrual.

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8. A quem as técnicas da Neuropelveologia podem ser indicadas?

Potencialmente, observam-se os benefícios das técnicas da Neuropelveologia qualquer pessoa (homem ou mulher) submetida a uma cirurgia pélvica (para tratar problemas do intestino, bexiga, próstata, vagina, útero, trompas ou ovários) e que começou a apresentar dores na região glútea ou nas pernas, ou ainda dificuldade para urinar ou evacuar, ou incontinência urinária e/ou anal (gases e/ou fezes).

Além da endometriose, os procedimentos de maior risco para lesões nervosas incluem cirurgias para correção de prolapsos genitais, cirurgias de próstata, cirurgias para câncer do intestino e qualquer outro procedimento ginecológico, proctológico ou urológico no qual tenha ocorrido alguma complicação como formação de hematomas, infecções pós-operatórias ou dor pós-operatória maior do que o habitual.

A Neuropelveologia, obviamente, não é capaz de resolver todos estes problemas, mas representa uma esperança e a solução de muitos casos.

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9. Como é possível beneficiar pacientes de casos tão distintos partindo de um mesmo princípio?

Esta nova técnica permite a implantação de neuromoduladores na região pélvica, que voltam a oferecer estímulos e controle aos nervos sacrais. Isso devolve, por exemplo, o estímulo nervoso à bexiga, permitindo a retomada do controle urinário.

Também é possível, por meio da laparoscopia, diagnosticar e tratar de uma só vez, como no caso da endometriose. Para estas pacientes, é possível em um mesmo procedimento localizar a endometriose e realizar sua remoção.

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10. Quem é o especialista capacitado para a cirurgia neurofuncional pélvica?

Com o surgimento da Neuropelveologia, surge também a necessidade de uma nova especialidade na medicina: a cirurgia pélvica.

Assim como já existe, por exemplo, o cirurgião de cabeça e pescoço, em breve esta será uma especialidade reconhecida em todo o mundo. Por enquanto, estabelece-se uma nova área de atuação na intersecção de diversas especialidades, como a Ginecologia, Urologia, Neurocirurgia, Ortopedia, Coloproctologia, entre outras.

E assim como já acontece em países como a França ou a Alemanha, hoje no Brasil temos em todas estas áreas aqueles que se especializarão especificamente na parte cirúrgica de suas especialidades.

Na Ginecologia, por exemplo, são médicos que não fazem obstetrícia, nem consultas de rotina, e buscam conhecimentos de outras áreas, trazendo para si novas técnicas cirúrgicas, dissecando espaços antes inexplorados na ginecologia.

Assim como eles, outros, oriundos de outras áreas, têm se voltado para os implantes laparoscópicos de eletrodos, oferecendo às pacientes uma alternativa de tratamento um pouco menos mutilante.

Desse modo, cirurgiões pélvicos (ginecologistas, urologistas ou coloproctologistas) capacitados em laparoscopia avançada que se capacitem no diagnóstico e abordagem de lesões dos nervos pélvicos (conceitos da neurocirurgia), bem como neurocirurgiões que se capacitem em procedimentos laparoscópicos avançados, poderão oferecer aos pacientes os benefícios da Neuropelveologia.

O primeiro médico brasileiro capacitado pelo professor Marc Possover foi o ginecologista Nucélio Lemos, editor deste site.

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11. Quais as vantagens específicas para paraplégicos e tetraplégicos?

Do ponto de vista urinário, a neuromodulação promove melhora da complacência vesical, ou seja, diminui a pressão na bexiga durante o enchimento.
Alguns pacientes com lesão incompleta conseguem retomar o controle urinário e, em casos específicos, voltar a esvaziar a bexiga voluntariamente. Isso diminui o número de sondagens realizadas por dia, reduzindo, portanto, o risco de infecção urinária.

O retorno do movimento nas pernas promove ganho de massa muscular e melhora do retorno venoso, contribuindo para a manutenção da pressão arterial e para o ganho de massa óssea.

Além disso, a maior parte dos paraplégicos passa a conseguir ficar em pé e caminhar com o auxílio de um andador. Isso promove aumento de massa óssea e reduz o risco de desequilíbrio do metabolismo do cálcio e de fraturas secundárias à osteoporose.

Em homens, também observa-se a evolução da qualidade da ereção, melhorando a qualidade de vida sexual e a resolução da ejaculação retrógrada, reestabelecendo a fertilidade.

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12. A reabilitação neurofuncional por meio de implantes de neuromoduladores pode substituir procedimentos realizados atualmente?

Sim, é exatamente isso o que busca a Neuropelveologia. Muitos procedimentos mutilantes, debilitantes ou pouco funcionais realizados em pacientes neurológicos, em particular lesados medulares, poderão dar lugar ao conceito da cirurgia neurofuncional.

Estão entre estes procedimentos:

  • uretrotomia (secção do esfíncter uretral para desobstruir o fluxo urinário, que leva à incontinência);
  • rizotomia (secção das raízes sensitivas, reduzindo ou abolindo a espasticidade);
  • uso de relaxantes musculares de ação central (reduzem a atividade da medula e do cérebro, causando sonolência e indisposição);
  • toxina botulínica (pouco funcional apesar da ação específica).

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13. Qualquer paciente com lesão medular pode se beneficiar com o implante de neuromodulador?

A maioria dos pacientes terá benefícios com este procedimento, porém é muito importante uma avaliação global com toda equipe de reabilitação para definir os objetivos a serem buscados, além de um alinhamento de expectativas.

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14. Quais são as possíveis complicações deste procedimento?

Qualquer material sintético implantado no organismo tem risco de rejeição. A rejeição também pode ser causada pela infecção do neuromodulador. Por isso, tomam-se todos os cuidados contra infecções antes e após o procedimento.

Como não se pode fixar os eletrodos diretamente aos nervos estimulados, existe o risco de deslocamento, principalmente durante movimentos de torção do tronco durante transferências e outras atividades diárias.

Para diminuir este risco, deve-se realizar treinamento específico para que o paciente saiba quais movimentos evitar. Neste período de restrição de movimentos — que dura de três a seis meses — o paciente necessitará de um acompanhante para lhe ajudar.

Além dos riscos específicos acima, existem riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico de grande porte como: reação a anestesia, trombose e sangramentos.

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15. Planos de saúde já cobrem o implante laparoscópico de neuromoduladores (LION)?

Sim. A partir de 1 de janeiro de 2013 a neuromodulação do plexo sacral passou a fazer parte do Rol de Procedimentos de Cobertura Obrigatória na Saúde Suplementar, elaborado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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